25.06.2019  Culture

“Abrasileiramos”

“Estrangeirismo” é o termo correto para essa prática linguística que cada vez ganha mais força no Brasil. Geralmente, o uso começa com a apropriação de uma palavra em inglês que se encaixa em um determinado contexto, substituindo outros termos na língua portuguesa. Com o tempo, esses termos vão ganhando suas versões nativas, traduções e palavras próprias adaptadas em português.

Existem alguns motivos para esse fato acontecer. Um deles é que o inglês é uma língua universal e por isso recebemos muitos estímulos nesse idioma. Músicas, filmes, séries, tecnologia, games e produtos nos mantém sempre em contato com o idioma. Acabamos aprendendo muitas vezes de forma desapercebida, entendendo as palavras a partir do contexto e com isso usando-as no nosso vocabulário para facilitar a realização de algumas atividades. Ao mexer em um computador, a tecla original DELETE gerou o verbo deletar em português, por exemplo.

Muitas pessoas entendem que esse fenômeno não é algo positivo. Especialistas na língua portuguesa entendem que a importância e a soberania da Língua Portuguesa são diminuídas com o uso dos estrangeirismos. Além disso, para defensores dessa tese, a língua acaba por se empobrecer e criar travas na comunicação.

De fato, essa visão é bastante conservadora, embora defenda um patrimônio do Brasil. A verdade é que a língua é mutável – se transforma de acordo com o comportamento do povo, com as modas e com o espírito do tempo(não entendi essa colocação – e logo em seguida tenho tempo várias outras vezes). A linguagem vai ganhando novas expressões e aumentando suas composições, sempre originando a melhor comunicação possível. Muitas expressões perdem o sentido com os anos e nem por isso nossa língua perdeu força, apenas se transformou para atender ao seu tempo.

O mais curioso, são palavras que assumimos e aportuguesamos. Palavras que são em português, mas que muitas vezes não têm um sinônimo nativo. Futebol era football; do francês veio o abajur (abat-jour). Existem ainda as palavras que inclusive mantém sua grafia original, como Design e Marketing. Quando a temática é tecnologia, os sinônimos em português praticamente inexistem como é o caso para: backup, desktop, pen drive entre outros.

Confira a entrevista que fizemos com a teacher Carolina Vieira, da Talken do Jardim Botânico:

Como você vê o uso de termos em inglês misturado ao uso da língua portuguesa?

Carol: Este é um fenômeno natural, especialmente quando não temos um termo na língua materna que traduza com exatidão a palavra estrangeira. 

Como a inclusão de palavras em inglês no nosso vocabulário potencializa o uso do inglês?

Carol: Esta inclusão potencializa o uso do inglês na medida em que há um primeiro contato com a língua, por menor que ele seja. Há um despertar de consciência de outros sons que podemos emitir com nosso aparelho fonador e, de certa forma, uma abertura de visão para novas formas de se expressar e conceituar fenômenos.

Como não exagerar no uso de palavras e manter o uso dentro de um contexto correto?

Carol: Acredito que isso dependa muito do assunto abordado. Há áreas do conhecimento, tal como a informática, que usam termos em inglês de maneira muito ampla e o estrangeirismo acaba sendo inevitável, pois as linguagens de programação fazem uso de termos da língua inglesa na construção de seus respectivos códigos. O que podemos e devemos evitar é o excesso, pois um agrupamento muito próximo de termos de outras línguas pode se tornar cacofônico no contexto da fala e a fluidez comunicacional pode ser comprometida. Às vezes vale a pena parafrasear alguns termos para destacar os verbetes que não possuam um correlato em português. Desta forma, é possível manter um equilíbrio sem abrir mão do vocabulário de outra língua que acrescente significados não existentes na língua materna.

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